'Vivemos um racismo ambiental em todas as áreas da pesca do Rio Una', diz quilombola de Cabo Frio

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Rio Una totalmente poluído por conta do despejo de esgoto em Cabo Frio Luciano Fischer O Rio Una, que corta a Região dos Lagos e deságua na Praia Rasa, no limite dos municípios de Cabo Frio e Armação dos Búzios, tem sido alvo de denúncias sobre o despejo irregular de esgoto. Nas últimas semanas, moradores destacam que a coloração da água e da espuma mudou e que o mau cheiro também piorou. Nesta terça-feira (31), o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou um ofício às prefeituras de Cabo Frio e Búzios e à concessionária de água Prolagos solicitando que no prazo de 20 dias, os citados respondam sobre os impactos do despejo de esgoto no meio ambiente e na comunidade quilombola. Um dos principais grupos afetados é o quilombo de Maria Joaquina, localizado em Cabo Frio, que vive da pesca artesanal, onde a quilombola Rejane ressalta sobre o quilombo está vivendo um racismo ambiental em todas as áreas de pesca, seja no brejo ou no mar. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com a impossibilidade da pesca, Rejane ressalta que a sustentabilidade das famílias está em risco: “O mau cheiro, a péssima qualidade da água e a mortandade de peixes têm atrapalhado. A gente vive da pesca, não estamos no mercado de trabalho. Hoje, quem pesca para subsistência está sofrendo”, afirma a quilombola Rejane Maria de Oliveira. “Estamos vulneráveis e não tivemos assistência da prefeitura. O profissional da pesca de caranguejo, camarão-pitu, puçá e outras espécies do Rio Una está parado. O quilombo está vivendo um racismo ambiental grande em todas as áreas de pesca, seja no brejo ou no mar", disse Rejane. Comunidade tradicional não consegue manter seu modo de vida A filha de Rejane, a gestora ambiental Eduarda de Oliveira Nascimento, reforça que, atualmente, a comunidade tradicional não consegue manter seu modo de vida porque o esgoto está sendo despejado no rio. “Apelamos aos órgãos competentes para que venham rever a situação. Aqui não é lugar de esgoto. Esse rio também leva um braço de água para dentro da comunidade quilombola. Pessoas estão sem comer e ficando doentes. Estamos sendo colocados em situação de vulnerabilidade”, explica. Segundo Caroline Mazieri, advogada ambientalista e membro do coletivo SOS Rio Una, esse é um problema que ocorre desde 2012. Ela destaca que uma das principais fontes de poluição são as estações de tratamento de esgoto. “Elas não fazem o tratamento suficiente, especialmente do esgoto que vem de Cabo Frio. Também tivemos inúmeras tentativas de transposição de efluentes de outras estações de tratamento de cidades próximas, como São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande”, explica. Outro ponto destacado pela advogada ambientalista é a influência das indústrias e fazendas locais: “As indústrias que utilizam a cana-de-açúcar para a produção de combustível emitem produtos químicos poluentes, como o vinhoto, que chegam por canais que deságuam no Rio Una. Búzios recebe essa poluição, que merece ser investigada e combatida”, ressalta Caroline. Para a ambientalista Anna Roberta Mehdi, há dois meses o Rio Una vive um colapso. “As águas estão escuras, com um cheiro horroroso e com uma mancha que se estende sobre a Praia Rasa. O esgoto clandestino, a transposição da estação do Jardim Esperança e os resíduos industriais e agrícolas pioram a situação a cada ano. O rio nunca ficou tanto tempo com as águas poluídas dessa forma”, destaca. Sujeira acumulada no Rio Una em Cabo Frio Eliandra Bussinger MPF cobra respostas O MPF pede também que os municípios apresentem medidas para identificar as fontes de poluição e formas de cessar esse impacto. Ao g1, a Prefeitura de Cabo Frio informou que recebeu a notificação do Ministério Público Federal (MPF) e está avaliando a situação por meio das secretarias competentes. O município destacou que “todas as providências cabíveis estão sendo analisadas com responsabilidade e transparência, em conformidade com a legislação vigente”. A concessionária Prolagos também foi procurada e, em nota, afirmou que realizou coleta e análise laboratorial na foz do Rio Una e que “todos os resultados confirmam que a coloração do rio não se deve à presença de esgoto”, mas sim ao excesso de matéria orgânica presente na água, após chuvas intensas e alagamentos. Na resposta, a empresa argumentou ainda que possui uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE Jardim Esperança) situada a 16 km da foz do Rio Una, que “encontra-se em plena operação, atendendo a todos os limites legais e ambientais de lançamento de efluente tratado”. O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Búzios e até a ultima atualização desta matéria não obteve resposta.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2026/04/02/vivemos-um-racismo-ambiental-em-todas-as-areas-da-pesca-do-rio-una-diz-quilombola-de-cabo-frio.ghtml


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