Moraes dá prazo de 15 dias para Governo do RJ enviar imagens de megaoperação no Rio

  • 05/02/2026
(Foto: Reprodução)
'Muro do Bope': entenda estratégia da polícia em megaoperação mais letal do Rio de Janeiro O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para que o Governo do Rio de Janeiro envie à Diretoria-Geral da Polícia Federal todas as imagens capturadas durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. A ação aconteceu no fim de outubro e deixou mais de 120 mortos. A determinação, assinada nesta quarta-feira (4), é que o material seja encaminhado para perícia, com transcrição e elaboração de laudo técnico, e encaminhado ao Supremo. A decisão foi publicada no âmbito da ADPF 635, conhecida como "ADPF das favelas", da qual Moraes é relator, desde a saída de Barroso. Estágio do plano de recuperação territorial Alexandre de Moraes Jornal Nacional/ Reprodução No despacho, Moraes também determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá informar ao STF o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial, apresentado pelo Governo do RJ em 22 de dezembro de 2025. O ministro destacou que o plano foi elaborado em cumprimento a uma decisão anterior da Corte e que, em 6 de janeiro de 2026, a Defensoria Pública do Estado manifestou concordância com o conteúdo do documento. Esclarecimentos do MP O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também foi intimado a prestar informações. O órgão deverá esclarecer qual foi sua participação em todas as fases da operação policial, especialmente no que diz respeito ao controle externo da atividade policial. O STF quer saber por que essa atribuição foi exercida pelo Grupo de Atuação especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e não pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública. O Gaesp foi criado em fevereiro de 2025 com a função específica de acompanhar e fiscalizar o cumprimento de decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do próprio Supremo, como a ADPF 635. Além disso, o MP deverá apresentar ao STF o protocolo de atuação adotado para cumprir a decisão da ADPF, informando quais membros foram responsáveis pelo controle externo, quais atividades foram realizadas e que medidas foram adotadas em relação a outros promotores que atuaram nas fases preparatórias ou na investigação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Câmeras revelaram crimes de policiais Imagens de COPs levam à prisão cinco PMs da megaoperacao no Rio de Janeiro Reprodução/TV Globo Seis agentes que participaram da ação foram presos depois de terem sido flagrados pelas próprias câmeras corporais cometendo crimes. O Fantástico mostrou, em novembro, como agentes do Batalhão de Choque furtaram e esconderam armas e até peças de um carro durante a megaoperação. Cinco agentes foram presos pela Corregedoria da PM por esses crimes. Eles são o subtenente Marcelo Luiz do Amaral e os sargentos Diogo da Silva Souza, Eduardo de Oliveira Coutinho, Charles William Gomes dos Santos e Marcus Vinícius Ferreira Silva Vieira. O 2° sargento Vilson dos Santos Martins também foi preso preventivamente por um fruto cometido durante a ação. Ele teria roubado um celular que estava carregando, sobre o sofá de uma residência na Penha. O g1 revelou, em janeiro, imagens que mostram o agente pegando o aparelho, logo depois de tranquilizar a dona da casa. "A gente não vai mexer, não", disse orientando a mulher a deixar o recinto. Militares orientam moradora a deixar sala, onde celular estava carregando Reprodução Só 23% do efetivo usou câmeras O governo do Rio já tinha informado ao STF que 569 câmeras corporais, sendo 62 da Polícia Civil e 507 da Polícia Militar, foram utilizadas na megaoperação realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. O volume é relativamente pequeno se comparado aos 2,5 mil policiais mobilizados para atuar contra o Comando Vermelho naquele dia. Ou seja, apenas 23% do efetivo estava equipado com câmera corporal na megaoperação. Megaoperação com cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo Relembre a megaoperação A Operação Contenção foi resultado de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que levou à expedição de 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão — 70 no Rio de Janeiro e 30 no Pará, contra integrantes do Comando Vermelho. A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e terminou com 121 mortos, entre eles quatro policiais. A ação das forças de segurança também resultou na prisão de 113 pessoas. Foram apreendidas 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver. O volume de armamento apreendido é considerado um dos maiores já registrados em uma única ação policial no estado, segundo as autoridades. A operação provocou ainda uma série de retaliações e bloqueios armados em importantes vias da cidade, como a Linha Amarela e a Grajaú–Jacarepaguá. O transporte público foi afetado em diversas regiões, e o município chegou a entrar em estágio operacional 2.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/02/05/moraes-manda-governo-do-rj-enviar-imagens-de-megaoperacao.ghtml


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