Grande Rio vai enfiar o pé na lama para mostrar o ‘adubo cultural’ das raízes do Manguebeat, diz carnavalesco

  • 06/02/2026
(Foto: Reprodução)
Grande Rio leva o Manguebeat para a Sapucaí e exalta a cultura que brota da lama A Acadêmicos do Grande Rio vai pisar na lama para falar de cultura, consciência social e futuro. A escola de Duque de Caxias aposta no Manguebeat como eixo cultural e político do próximo desfile na Sapucaí. O movimento surgiu em Pernambuco nos anos 1990. À frente do projeto está o carnavalesco Antônio Gonzaga, que estreia na escola e assina, pela primeira vez, um carnaval sozinho no Grupo Especial. Internamente, a chegada dele é vista como o início de um novo movimento. Segundo Gonzaga, a escola mantém sua identidade, mas abre espaço para experimentar outras linguagens. “A Grande Rio vem sem medo. É uma escola com outra roupagem, outra linguagem, mas mais uma vez comprometida a dar um banho de cultura na Avenida. A comunidade está muito feliz, muito leve e muito confiante”, afirma. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Inspirado no Manguebeat, o enredo pretende ir além dos nomes mais conhecidos do movimento, como Chico Science e Nação Zumbi. A ideia, segundo o carnavalesco, é mergulhar em suas raízes e mostrar como ele segue vivo nas novas gerações. “O grande desafio é tirar a ideia de que o Manguebeat é só o que chegou mais forte no Sudeste. A gente quer entender as raízes desse movimento e de que maneira ele se perpetua até hoje”, explica. De acordo com o artista, visualmente, o desfile começa com um pedido de licença ao sagrado. A abertura é marcada pela ancestralidade dos manguezais, com forte presença simbólica e cromática. “A gente pede licença a Nanã para entrar nesse grande reino sagrado da lama e dos manguezais. O início tem ancestralidade, tem roxo, tem espiritualidade”, diz. Antônio Gonzaga estreia na Grande Rio e assina, pela 1ªa vez, um carnaval sozinho no Grupo Especial Alexandre Barreto/TV Globo Os personagens do mangues Na sequência, o enredo apresenta os personagens que vivem às margens dos mangues, como catadores de caranguejo, pescadores e lavadeiras, antes de avançar para os ritmos que formam a base cultural do movimento. Maracatu, coco, cavalo-marinho e caboclinhos aparecem como elementos fundamentais desse processo. “Tudo isso é o adubo cultural que fez nascer essa grande potência que é o Manguebeat”, afirma Gonzaga. O desfile chega então aos grandes expoentes do movimento e ao conceito que atravessa todo o projeto: o caranguejo com cérebro, criado por Fred 04. Para Gonzaga, a imagem sintetiza a força transformadora que nasce da lama. “Essa ideia do caranguejo com cérebro mostra que o que vem da lama é o que pensa uma nova sociedade”, resume. Na parte final, a Grande Rio traça um paralelo direto entre as periferias de Recife e de Duque de Caxias, aproximando o discurso do Manguebeat de outras manifestações culturais urbanas. O carnavalesco explica que o encontro com o samba, o funk e o hip hop reforça a ideia de origem comum. “A gente entende o Manguebeat como um movimento de margem, de periferia. E faz esse encontro com o samba, com o funk, com o hip hop. A gente nasce da mesma lama. A lama não é abandono, não é sujeira. A lama é fonte de vida, é adubo cultural.” Saiba mais sobre o enredo, a ficha técnica e cante o samba Enredo e Samba 2026: Grande Rio se prepara para celebrar o Manguebeat na Sapucaí Sobre os destaques visuais do desfile, Gonzaga admite que é difícil escolher, mas revela seus preferidos. A abertura é apontada como seu “xodó”, embora ele aposte também no impacto da quarta alegoria. “A abertura do desfile é meu xodó como criador. Mas acredito muito no impacto da quarta alegoria. Acho que vai ser um grande boom na Avenida.” Vice-campeã no último carnaval, a escola encara 2026 com ambição. Gonzaga diz que sonha alto, mas com os pés no chão. “Eu sonho com a Grande Rio campeã e trabalho muito para isso. É um projeto grande, audacioso. Se a gente conseguir colocar na Avenida tudo o que está sonhando, vai ser muito feliz.” Um dos carnavalescos mais jovens da Cidade do Samba, Gonzaga também destaca o peso simbólico de ocupar esse espaço. “Ser um dos mais jovens e um dos poucos carnavalescos pretos nesse lugar é importante. Me sinto muito honrado e muito realizado.” No samba-enredo, Gonzaga aponta o verso que, para ele, traduz o espírito do desfile. “Eu também sou caranguejo” resume o Manguebeat, segundo ele, mas a parte final, que cita Paulo Freire, é vista como um dos momentos mais fortes da obra. A Tricolor de Caxias vai mergulhar na lama dos manguezais para mostrar que dali brotam cultura e transformação política e social, embaladas pelos toques das alfaias, pela dança dos caboclos de lança, pelas letras de Chico Science e pelo manifesto de Fred 04. A escola será a 2ª a desfilar no último dia de apresentações do Grupo Especial. Virginia Fonseca no ensaio de quadra da Grande Rio Webert Belicio/AgNews

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/carnaval/2026/noticia/2026/02/06/grande-rio-vai-enfiar-o-pe-na-lama-para-mostrar-o-adubo-cultural-das-raizes-do-manguebeat-diz-carnavalesco.ghtml


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