‘Declaração de amor em forma de desfile’, prevê carnavalesco da Viradouro, sobre homenagem a Mestre Ciça
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Viradouro prepara ‘declaração de amor’ para mestre de bateria no desfile de 2026
Uma declaração de amor em forma de desfile. É assim que a Unidos do Viradouro prepara o Carnaval 2026, ano em que a escola de Niterói vai transformar a Marquês de Sapucaí em palco para celebrar a trajetória, a ousadia e o legado de Mestre Ciça, um dos maiores nomes da história do samba.
À frente do projeto está o carnavalesco Tarcísio Zanon, que define o enredo como um gesto raro: íntimo, afetivo e profundamente simbólico.
“Esse ano a gente não está fazendo um enredo. A gente está fazendo uma declaração de amor.”
Mais do que uma homenagem protocolar, a proposta é assumir a emoção como linguagem central do desfile. O carinho não é gratuito: Ciça soma 55 anos dedicados ao carnaval, uma vida inteira como operário da festa, conhecendo cada detalhe da Avenida, do ritmo e do espetáculo.
“O Ciça tem 55 anos dedicados à festa. Ele é um operário do carnaval. Ninguém entende mais essa Avenida do que ele.”
O desafio, segundo o carnavalesco, é tão grande quanto inédito. O enredo aposta na metalinguagem ao contar a história de um mestre de bateria que, ao mesmo tempo, segue defendendo o quesito no desfile que narra a própria trajetória.
“É uma responsabilidade enorme. Ele vai estar ali defendendo um quesito, vendo a própria história passar na Avenida. É algo ousado, e a ousadia sempre foi o principal tempero do Ciça.”
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
Mestre Ciça é o homenageado pela Viradouro em 2026
Reprodução/ TV Gçlobo
A ideia de transformar Ciça em enredo surgiu quase por acaso, em meio às reuniões de definição do carnaval. Com outras propostas já alinhavadas, a diretoria decidiu mudar o rumo e apostar no óbvio que, até então, parecia distante.
“Era o ano do Ciça. Eu sempre fui reticente em fazer enredo de sambista, porque quando a pessoa é muito próxima a gente acha que já conhece tudo. Mas o Ciça é uma escola de samba inteira.”
E é exatamente essa ideia que conduz a narrativa do desfile: mostrar como uma escola de samba pode formar um artista completo. Ciça passou por praticamente todos os segmentos antes de se consagrar mestre de bateria. Começou como passista, viveu o corpo que dança e levou essa dança para dentro da bateria.
“Ele leva o corpo que dança para dentro da bateria. Ele coreografa o ritmo. Vai além do que se espera de um mestre.”
Imagens que marcaram a história do carnaval
Enredo e Samba: Viradouro 2026
A trajetória de Ciça é contada a partir de imagens que marcaram a história do carnaval: tambores levantados, ritmistas ajoelhados, coreografias coletivas e a bateria dialogando com a rainha, como nos tempos em que Ciça dividiu a Avenida com Luma de Oliveira.
Os planos do carnavalesco são transformar, no desfile de 2026, a biografia em poesia visual. A infância de Ciça acompanhando os desfiles de bicicleta com o pai, a força da espiritualidade herdada da mãe — mãe de santo com terreiro no quintal de casa — e até o início da vida profissional como mecânico ganham forma plástica e simbólica.
O metal, elemento que atravessa tanto a profissão quanto os instrumentos da bateria, aparece como fio condutor, do início ao fim da apresentação.
“A gente está falando de fé, de ritmo, de dança, de corpo. Mas, acima de tudo, de enaltecer o artista do carnaval.”
LEIA TAMBÉM:
Viradouro 2026: veja o enredo e cante o samba
Reencontro com Juliana Paes
Mestre Ciça e Juliana Paes na escolha do samba-enredo da Viradouro
Reprodução/ TV Globo
Entre os momentos mais aguardados da Avenida está o reencontro de Ciça com Juliana Paes, que volta à Viradouro em um ano carregado de simbolismo. A atriz iniciou a carreira artística como passista da escola e tem uma trajetória que dialoga diretamente com a do homenageado.
“Ela sempre diz que foi a Viradouro que trouxe luz para ela. Quando voltou, abraçou o Ciça como um pai. Esse afeto diz muito sobre o que é uma escola de samba.”
O slogan que embala o enredo resume o espírito do desfile: “Pra cima, Ciça!”. Aos 70 anos, o mestre segue sendo força motriz, energia que contagia e impulsiona.
“Tudo começa de cima. A levada é pra cima. Ele coloca todo mundo pra cima o tempo todo.”
A Viradouro é a 3ª escola a se apresentar na segunda-feira (16). O desfile deve começar à 1h.