Prefeitura de Nova Friburgo decreta luto oficial de três dias pela morte de Benito Di Paula
19/10/2026
(Foto: Reprodução) Um dos grandes da música brasileira, Benito di Paula morreu em São Paulo
A Prefeitura de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, decretou luto oficial de três dias pela morte do cantor, compositor e instrumentista friburguense Uday Vellozo, consagrado artisticamente como Benito Di Paula.
Benito Di Paula fazia tratamento contra um câncer de próstata e passou mal na noite deste domingo (18). O velório será aberto ao público nesta terça-feira (20), no Theatro Municipal de São Paulo.
O artista nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, onde estudou antes de se mudar para o Rio de Janeiro e construir uma carreira que o transformou em um dos maiores nomes do samba brasileiro.
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Em nota oficial, a Prefeitura de Nova Friburgo lamentou a morte do artista e destacou a importância de sua trajetória para a cidade. A administração municipal ressaltou que Benito Di Paula levou o nome de Nova Friburgo para todo o Brasil e para o exterior, sempre demonstrando amor e orgulho por suas origens por meio de canções e homenagens que eternizaram sua ligação com a cidade e com o povo friburguense.
“Foram expressivos e inestimáveis os serviços prestados à cultura popular brasileira e à projeção histórica de Nova Friburgo, cidade onde Benito Di Paula deu os primeiros passos de sua carreira ao se apresentar no tradicional Hotel Avenida e de onde levou consigo as raízes do samba friburguense”, diz trecho da nota.
A Sociedade Musical Campesina Friburguense também emitiu uma nota de pesar, destacando que o samba e a música popular brasileira perderam uma de suas vozes mais marcantes e originais. Em suas canções, Benito costumava se autoproclamar o “homem da montanha”, em referência à cidade onde nasceu.
“Obrigado por tanta poesia, alegria e por colocar o som do nosso povo no topo do sucesso. Descanse em paz, Benito. As montanhas de Friburgo hoje choram a sua partida, mas ecoarão o seu canto para sempre”, afirma a nota.
Cantor e compositor Benito di Paula, nascido em Nova Friburgo, será homenageado em samba-enredo da Águia de Ouro, em São Paulo
Murilo Alvesso
A Escola de Samba Unidos da Saudade, que foi fundada por José Velozzo, pai de Benito Di Paula, emitiu uma nota de pesar pelo artista, que era sócio benemérito da escola.
"O seu jeito irreverente contribuiu, em muito, com a aproximação do samba aos salões, da alta sociedade e da música romântica. Por muitos anos, foi o artista qye mais vendeu discos no Brasil. Pela crítica esoecializada e pelo meio acadêmnico musical é tido como o precursor do pagode, justamente por agregar à percussão sonoridades típicas de outros ritmos", detalhou a nota.
Benito Di Paula falou sobre Nova Friburgo
Em fevereiro de 2025, Benito Di Paula deu entrevista ao g1 e falou sobre a relação afetiva que tinha com a sua cidade natal.
O artista comentou ser "o homem da montanha", remetendo à canção "Homem da Montanha", de 1976, que traz uma declaração de amor por Nova Friburgo, narrando a vontade de voltar para a Serra diante da vida na cidade grande.
"É a minha terra, sou o 'Homem da Montanha'. Tenho muita saudade de lá, tenho recordações bonitas. Gosto muito da minha terra. Nova Friburgo é a minha casa, está no coração", contou.
Benito Di Paula
Benito Di Paula nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, com o nome de Uday Vellozo, mas o Brasil já o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente, esquema novo.
Ao longo da carreira, tornou-se um dos nomes de destaque da música popular brasileira, especialmente nas décadas de 1970 e 1980.
Teve mais de 50 milhões de discos vendidos no mundo, sendo quatro milhões só na Europa.
Entre seus sucessos estão Retalhos de Cetim, Charlie Brown e Mulher Brasileira. Seu estilo, marcado pela presença do piano e por arranjos românticos, contribuiu para consolidar uma identidade própria dentro do samba.
Benito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também obtiveram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba. Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro.
Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra com arranjos cheios de teclados.
E o fato é que o sambeiro pianeiro imprimiu assinatura singular na música do Brasil.
Benito Di Paula na capa de álbum de 1976
Reprodução / Capa de disco