Padre denunciado por intolerância religiosa fecha acordo com família de Preta Gil em processo por danos morais e vai fazer retratação em missa

  • 20/04/2026
(Foto: Reprodução)
Padre denunciado por intolerância religiosa firma acordo com o MPF A família de Preta Gil fechou um acordo com o padre Danilo César, da paróquia de Areial, na Paraíba, após ele ser denunciado por intolerância religiosa durante uma missa no ano passado. O acordo é no âmbito de um processo cível movido na 41ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro por danos morais. O acordo, fechado em 11 de abril, ainda precisa ser homologado pela Justiça. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp No novo acordo, na área cível, o padre concordou em pedir desculpas à família de Preta Gil, citando nominalmente o pai dela, Gilberto Gil, entre outros integrantes da família. Também ficou reconhecido pelo padre o teor ofensivo das falas do clérigo durante a missa no ano passado e que as declarações "causaram dor aos familiares de Preta Gil'. Com o acordo, o padre evita o pagamento de R$ 370 mil. O pedido de desculpas, conforme o acordo, terá que ser feito durante a celebração de uma missa por meio da transmissão do canal de Youtube da Paróquia de Areial, isso com intutito das desculpas serem veiculadas no mesmo ambiente e com o mesmo alcance das falas que deram origem ao processo. Em março, a defesa da família Gil discordou de um posicionamento da defesa do padre Danilo nos autos, no qual eles afirmaram que o conteúdo da defesa apresentada no processo cível pelo padre demonstrava divergência em relação ao que foi assumido anteriormente no acordo com o MPF. Em termos de prazos, o padre vai ter que fazer as declarações em um período de 30 dias úteis a contar da homologação do acordo pela Justiça. Se ele não fizer isso, está previsto o pagamento de multa de R$ 250 mil. Ainda está previsto também a doação de oito cestas básicas para uma instituição que vai ser indicada pela família Gil, em dez dias após a homologação do acordo. O termo de acordo também tem como parte a Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia. Em fevereiro, na área criminal, o padre fechou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB) para não responder criminalmente naquele processo. Acordo na esfera criminal Danilo César, padre denunciado por intolerância religiosa em fala sobre Preta Gil participou do ato do MPF Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco Entre as obrigações no acordo com o MPF, o padre se comprometeu a participar de um ato inter-religioso, o que aconteceu em fevereiro, com a participação remota de Gilberto Gil, que inclusive falou sobre todo o ocorrido. No evento, Gilberto Gil chamou de 'agressão' a fala do padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil. Entre outros pontos acordados no MPF naquela época, estão: Leitura e produção de resenhas manuscritas das obras A Justiça e a Mulher Negra (Lívia Santana) e Cultos Afro-Paraibanos (Valdir Lima), preferencialmente capítulo a capítulo, para garantir compreensão geral; Produção de resenha manuscrita do documentário Obatalá, o Pai da Criação; Cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificados válidos, podendo somar diferentes cursos, inclusive na modalidade EAD com controle de presença; Até o fim de junho, é obrigatório entregar as 3 resenhas manuscritas e no mínimo 20 horas certificadas de cursos; Pagamento de R$ 4.863,00, em até 5 dias, via Pix para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE); "Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?" Associação denuncia padre por intolerância religiosa ao citar morte de Preta Gil, na PB O caso ocorreu no dia 27 de julho. Durante a homilia, o padre citou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de um câncer colorretal, associando a fé dela em religiões de matriz afro-indígenas a morte e sofrimento. A missa foi transmitida ao vivo pelo Youtube da paróquia de São José, em Areial. O vídeo foi retirado do ar após a grande repercussão nas redes sociais. “Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", disse. As declarações com cunho de intolerância religiosa também aconteceram em relação aos fiéis para os quais o padre estava presidindo a missa. Ele chegou a se referir a religiões de matriz afro-indígenas como "coisas ocultas" e que desejava "que o diabo levasse" quem procurar essa prática. “E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha", disse A fala foi considerada como preconceituosa pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial. O presidente da instituição, Rafael Generiano, fez um boletim de ocorrência contra as falas do padre por intolerância religiosa à época. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/04/20/padre-intolerancia-religiosa-familia-preta-gil-acordo-danos-morais-retratacao-em-missa.ghtml


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